🌳 TESOUROS DE SERINGUEIRAS 🌳
Histórias da Nossa Terra para Nossas Crianças
Autor: Professor Julcelho Marins da Silva
Escola Oswaldo Pianna — Seringueiras, Rondônia
Público: Ensino Fundamental
📖 O Café que Cantava
No alto da colina, as lavouras de café estavam carregadas de frutos vermelhos, brilhantes como joias. Lúcia, uma menina de olhos curiosos, ajudava o avô na colheita.
— Vou colher os mais bonitos! — disse ela, enchendo a cesta com cuidado para não machucar os ramos. O sol brilhava suave, e o vento passava entre as fileiras, fazendo as folhas sussurrar. Lúcia imaginou que o café cantava: “Cresci com chuva, cresci com sol, vou dar sabor a todo o mundo!”.
Quando o grão torrado soltou o aroma, a menina sorriu. Agora sabia: cada xícara de café traz o carinho de quem plantou e cuidou com amor.
💡 O amor faz crescer tudo o que plantamos.
📖 O Verde da Soja e o Vento
Na grande planície, as lavouras de soja balançavam como ondas verdes. O menino Tiago gostava de correr pelas estradas ao lado, observando as plantas altas e fortes. Um dia, parou e perguntou ao pai:
— Pai, por que a soja é tão forte?
— Porque ela recebe o sol, a chuva e o cuidado de todos — respondeu o pai. — E também ajuda a alimentar muita gente, aqui e longe.
Tiago sorriu. O vento soprou forte e a soja balançou em uníssono, parecendo uma grande família se abraçando. O menino aprendeu que crescer junto com os outros nos torna mais fortes.
💡 Cuidar do que é nosso é cuidar de todos.
📖 O Cerrado e Seus Segredos
Mara amava caminhar no cerrado perto da cidade. Lá havia árvores de casca grossa, flores de cores vivas e pássaros de cantos alegres. Um dia, encontrou um pequeno tatu que procurava comida. Ele parou, olhou para ela e não teve medo.
— Você mora aqui, não é? — sussurrou Mara. — Prometo que vou cuidar do seu lar.
A partir daí, ela sempre levava amigos para conhecer, pedindo silêncio e respeito. O cerrado retribuía: o ar ficava mais fresco, as águas mais limpas e a vida mais feliz. Mara entendeu: a natureza nos dá tudo quando a protegemos.
💡 Quem cuida da natureza, cuida de si mesmo.
📖 O Leite que Trazia Alegria
Cedo, quando o sol mal aparecia, Carlos ajudava na ordenha das vacas. Ele falava baixinho com cada uma:
— Bom dia, Dona Mancha! Bom dia, Flor!
As vacas olhavam com olhos calmos e davam o leite branco e puro, que cheirava a capim fresco. Carlos guardava o leite com carinho e levava à escola para o lanche. Os amigos provaram e disseram:
— Que sabor bom!
— É o carinho que colocamos nele — sorriu Carlos. — O leite é presente das nossas vacas e do nosso trabalho.
💡 O trabalho feito com alegria dá sabor especial.
📖 Os Gados e o Pôr do Sol
Na ampla pastagem, o gado de corte caminhava tranquilo. O menino Pedro, montado no cavalo Brilhante, observava tudo. Os animais cresciam fortes comendo capim verde e bebendo água cristalina.
— Eles são o orgulho da nossa terra — dizia o pai. — Precisam de espaço, de água limpa e de respeito.
Pedro aprendeu a observar cada um: os que brincavam, os que descansavam, os que seguiam o rebanho. Ao entardecer, o sol pintava o céu de ouro e os animais voltavam calmos. Ele sentiu gratidão: ali, a vida era simples e boa.
💡 Respeitar os animais é honrar a vida.
📖 No Rio Bananeira
O Rio Bananeira corria sereno entre as árvores frondosas. Júlia gostava de sentar na margem e ouvir a água cantar. Um dia, viu um peixinho que parecia perdido.
— Não temas, amiguinho! — disse ela, guiando-o devagar para o fundo mais fundo.
O peixe nadou feliz e voltou, como se agradecesse. Júlia percebeu que o rio era um lar para muitos seres. Desde então, sempre lembrava a todos: não jogue lixo, não faça barulho demais. O Rio Bananeira cuida de nós, e nós devemos cuidar dele.
💡 O rio é vida; protegê-lo é amar a vida.
📖 Águas do Rio São Miguel
O Rio São Miguel era largo e forte, com águas que brilhavam ao sol. O menino Marcos amava ouvir as histórias do avô sobre o rio.
— Ele dá água para as lavouras, para os animais e para nós — contou o avô. — Ele é como um amigo que nunca nos abandona.
Marcos olhou a água correndo sem parar e pensou: “O rio leva a vida, mas também traz esperança”. Ele decidiu que sempre cuidaria das margens, plantando árvores e mantendo tudo limpo. O rio merece o nosso respeito, hoje e sempre.
💡 Quem respeita as águas preserva o futuro.
📖 A Árvore que Conhecia o Caminho
No caminho entre a lavoura e o riacho, havia uma árvore velha e forte do cerrado. Ela conhecia todos: os lavradores, os pássaros, as crianças. A menina Bia sempre parava para conversar com ela.
— Você viu tudo aqui, não é? — perguntou Bia.
— Vi crescer as lavouras, vi passar as estações, vi nascer gerações — parecia responder a árvore com o balanço das folhas.
Bia aprendeu que cada árvore é uma guardiã da história de Seringueiras. E prometeu que nenhuma seria cortada sem necessidade. As árvores são nossas raízes.
💡 Preservar é guardar a memória da nossa terra.
📖 O Lanche da Tarde
No fim da tarde, depois de cuidar das vacas e das plantações, todos se reuniam. O leite puro, o café saboroso, o queijo da fazenda — tudo vinha do trabalho de cada um. O menino Lucas percebeu:
— Tudo o que comemos vem daqui, da nossa terra!
— Exatamente — sorriu a mãe. — Seringueiras nos dá o pão, o alimento, a vida. Devemos retribuir cuidando bem dela.
Naquela mesa, Lucas sentiu algo quente no peito: gratidão. A terra é generosa quando sabemos cuidar dela.
💡 Agradecer é também uma forma de amar.
📖 O Coração de Seringueiras
Na noite clara, as crianças olharam a cidade lá do alto. Viam as lavouras escuras, os rios brilhantes sob a lua, as casas acolhedoras.
— Seringueiras é bonita! — disse a menina Rafaela.
— É — concordou o avô. — Mas a beleza maior está no coração do povo: no trabalho, na união, no amor à terra.
As crianças entenderam: a cidade não é só terras e rios. É o cuidado de cada pessoa que faz dela um lugar bom para viver. E elas prometeram: crescerão amando e protegendo Seringueiras.
💡 O verdadeiro tesouro é o amor pelo nosso lugar.
Este livro foi escrito com amor à terra de Seringueiras, para que cada criança conheça, ame e proteja o lugar onde vive.
— Professor Julcelho Marins da Silva
Escola Oswaldo Pianna • Seringueiras, Rondônia
Outubro de 2026